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'Cantar e fazer música é crime?', perguntou Belo ao ser levado para delegacia


O cantor Belo estava em Angra dos Reis quando recebeu voz de prisão e, ao chegar à sede da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD), ontem à tarde, perguntou se “cantar e fazer música é crime”. Policiais estiveram em sua casa para cumprir um mandado de busca e apreensão e recolheram computadores, R$ 40 mil, 3.500 euros e duas pistolas, registradas em seu nome. Mulher do cantor, a modelo Gracyanne Barbosa foi à delegacia e o defendeu, dizendo que ele precisa trabalhar não só para manter a família, mas para garantir o sustento de todos que dependem de seu ofício.

— Ele só saiu de casa para trabalhar, ele precisa — argumentou Gracyanne, sem comentar a acusação de envolvimento com o tráfico feita contra seu marido.

De novo na cadeia

Preso pela primeira vez em 2002, por envolvimento com o tráfico, Belo, que já havia cumprido quase quatro anos de pena, voltou ontem para a cadeia. Desta vez, o motivo foi um show que fez na madrugada de sábado no pátio do Ciep 326 Professor César Pernetta, situado no Parque União, no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio. O evento, que teve ingressos a R$ 15, não contou com qualquer autorização do poder público — a Secretaria estadual de Educação, por exemplo, negou ter cedido a unidade para a apresentação — e, segundo a polícia, desrespeitou todas as regras sanitárias vigentes por conta da pandemia de Covid-19.

Porém, não são apenas a aglomeração no show e a falta de licenças que motivaram a Polícia Civil a fazer a operação “É o que eu mereço” (em alusão a um sucesso do cantor) e pedir à Justiça a prisão de Belo. Investigadores apuram o que descrevem como “invasão de uma escola”, e o artista está sendo acusado de associação criminosa, já que o evento teria sido promovido com o apoio de Jorge Luiz Moura Barbosa, o Alvarenga, chefe do tráfico no Parque União.

Postagem no Twitter

Segundo a Delegacia de Combate às Drogas (DCOD), a invasão da escola e a realização do show numa das áreas mais conflagradas do Rio só poderia acontecer com a autorização de Alvarenga, que controla a comunidade há anos. Para a polícia, isso fica evidente em uma postagem no Twitter, na qual o usuário do perfil Trem Bala avisa: “Mais tarde, Belo aqui no PU (Parque União). Maior paz. Gestão inteligente do Mano”.

— Verifica-se que o cenário desenhado é um dos mais absurdos possíveis, na medida em que o “evento contagioso” não foi autorizado pelo Estado, mas pelo chefe criminoso local — afirmou o delegado Gustavo de Mello de Castro, titular da DCOD.

Prisão preventiva

Ao acionar a Justiça, a Polícia Civil solicitou a prisão temporária, por 30 dias, de Belo, Alvarenga e dois produtores do evento, Célio Caetano e Joaquim Henrique Marques Oliveira. No entanto, a juíza plantonista Angelica dos Santos Costa optou por decretar a preventiva do grupo — ou seja, ela não estabeleceu um prazo de soltura. Na decisão, a magistrada frisa que a medida “se impõe como forma de garantir a ordem pública a fim de evitar outros eventos desta natureza em plena pandemia”.

“Os investigados e a sociedade empresária realizaram evento em contrariedade ao interesse público, violando decretos municipais e estaduais que buscam controlar a epidemia em que vivemos, bem como invadiram uma escola estadual, inexoravelmente causando danos ao erário”, aponta a juíza em sua decisão. Ela também manifestou o temor de que os acusados causem “dificuldades às investigações em curso”, tentando, por exemplo, influenciar testemunhas que ainda irão depor, principalmente servidores da Secretaria estadual de Educação.


FONTE: https://br.noticias.yahoo.com/cantar-e-fazer-m%C3%BAsica-%C3%A9-073042340.html

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